Pular para o conteúdo

Justiça determina que CBV libere Tifanny para Supercopa e Superliga sob risco de multa

A Justiça do Rio de Janeiro concedeu liminar que obriga a Confederação Brasileira de Vôlei a permitir a participação da atleta Tifanny Abreu nas competições nacionais, sob pena de multas, diante de disputa sobre nova política de elegibilidade.

A Justiça do Rio de Janeiro concedeu liminar exigindo que a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) habilite a jogadora Tifanny Abreu para atuar na partida contra o Praia Clube, válida pela Supercopa, bem como nos jogos da Superliga Feminina 2026/2027. A decisão determina multa de R$ 5 mil por partida em caso de descumprimento.

Tifanny, oposta do Osasco Vôlei, teve sua inscrição inicialmente negada pela CBV, que alterou sua política de elegibilidade para atletas femininas, exigindo teste genético para identificação do gene SRY — associado ao desenvolvimento masculino — e barrando a participação de atletas transgênero que não o comprovem negativamente.

Controvérsia e processo judicial

Após a recusa da inscrição da atleta, a defesa de Tifanny e o clube ingressaram com mandado de garantia na Justiça Desportiva, mas não obtiveram liminar favorável no STJD. Posteriormente, recorreram à Justiça comum, que concedeu medida provisória antes do jogo marcado em São Luís do Maranhão.

O juiz Antonio Luiz da Fonseca Lucchese ressaltou que Tifanny já compete em categorias femininas desde 2017, com a anuência da CBV, e caracterizou a mudança das regras pela entidade como uma alteração abrupta sem período de adaptação ou oportunidade de defesa prévia para os atletas impactados.

Posicionamentos oficiais e repercussão

Em nota, a CBV afirmou que cumprirá a decisão judicial de forma excepcional e provisória, mantendo-se combativa nos recursos para reverter a liminar. A confederação reforçou seu compromisso com o respeito e dignidade das atletas e repudiou manifestações discriminatórias.

Tifanny Abreu, primeira atleta transgênero a disputar a elite do vôlei brasileiro desde 2017, expressou em evento oficial e redes sociais seu desejo de encerrar a carreira com dignidade, lutando por seu direito de continuar jogando. O caso ganhou visibilidade e apoio de colegas, como a capitã da seleção brasileira feminina, Gabi Guimarães, que criticou a política da CBV.

Recentemente, Tifanny liderou seu time na conquista do Campeonato Paulista e reafirmou a intenção de disputar a Superliga 2026/2027, mesmo diante da nova política da CBV que restringe a participação de atletas transgêneros.

Tags: Atletas TransgêneroConfederação Brasileira de VôleiDireito DesportivoSupercopaSuperliga FemininaTifanny Abreu

Comentários

Comentários exclusivos para quem tem conta

Entre na sua conta e seja o primeiro a comentar esta matéria.

Veja também