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Sócios do Vasco votam proposta de Marcos Lamacchia para aquisição da SAF com aporte de R$ 500 milhões

Nesta sexta-feira, os sócios do Vasco decidem sobre a proposta de Marcos Lamacchia para adquirir 90% da SAF do clube, com compromissos financeiros e estruturais para o futebol.

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Os associados do Vasco participam nesta sexta-feira (23) da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para votar a proposta apresentada pela Almirante Participações e Empreendimentos S.A., empresa vinculada a Marcos Lamacchia, que objetiva adquirir 90% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube.

A votação ocorre das 10h às 20h, tanto presencialmente na Sede Náutica da Lagoa quanto de forma remota por meio do sistema oficial eletrônico do clube. O processo também inclui a análise de uma alteração estatutária para reduzir a participação mínima do clube na SAF, de 20% para 10%.

Detalhes financeiros e compromissos da proposta

O negócio prevê um investimento mínimo de R$ 500 milhões direcionado exclusivamente ao departamento de futebol. Esse montante será dividido em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões, corrigidas pelo INPC. Além dos recursos para contratações, atletas e comissão técnica, a proposta inclui:

  • Investimento de pelo menos R$ 120 milhões no centro de treinamento profissional, a ser aplicado em até dez anos;
  • Aplicação de R$ 30 milhões na infraestrutura das categorias de base, com prazo de até dois anos;
  • Cobertura do déficit de fluxo de caixa do clube, estimado em cerca de R$ 1,5 bilhão nos primeiros cinco anos;
  • Anticipação de dois anos nos pagamentos previstos no plano de recuperação judicial do Vasco;
  • Compromisso de aportes adicionais caso os recursos se mostrem insuficientes para cumprir obrigações financeiras e estruturais, sem alterar a participação mínima do clube na SAF.

Garantias e condições da operação

Para assegurar o cumprimento das obrigações assumidas, o acordo estabelece mecanismos restritivos, incluindo multas e indenizações em casos de descumprimento. Entre as penalidades previstas, destaca-se uma multa de R$ 50 milhões vinculada à formalização definitiva da operação e penalidades que podem chegar a 60% sobre determinados valores em caso de violações do plano judicial.

Outro ponto importante é que o estádio Nilton Santos continuará sendo a casa exclusiva do futebol profissional do Vasco até 31 de dezembro de 2030, mediante pagamento anual de R$ 3 milhões. Caso obras impeçam seu uso, o valor será reduzido para R$ 2 milhões. O estádio permanece propriedade do clube social, não integrando a venda da SAF.

A proposta também garante prioridade aos sócios proprietários para aquisição de ingressos em uma primeira fase de disponibilização, preservando o vínculo direto com a torcida.

Aspectos societários e jurídicos

A transferência para a SAF abrangerá ativos relacionados ao futebol, como contratos de atletas, direitos, patrocínios e propriedade intelectual. O clube associativo manterá licença gratuita e por tempo indeterminado para usar a marca Vasco em suas atividades.

Fica vedada a venda das ações da investidora pelo prazo de dez anos, período em que a SAF também estará impedida de distribuir dividendos. Qualquer mudança no controle após esse período dependerá da quitação das dívidas da recuperação judicial ou da substituição das garantias acordadas.

O fechamento do acordo está condicionado à aprovação em assembleia, aos trâmites judiciais e às autorizações dos órgãos de fiscalização, como a Anresf da CBF e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que já investigam possível conflito de interesses dado o vínculo de Lamacchia com Leila Pereira, presidente do Palmeiras.

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