Audiência no STF reúne clubes que cobram volta das apostas no futebol
Representantes de times brasileiros pedem fim da proibição das casas de apostas, enquanto governo defende medida provisória que suspende atividade.
Clubes e entidades do futebol brasileiro reforçaram na terça-feira (3) pedido para retorno das casas de apostas, cujo funcionamento está proibido no país desde a publicação de uma Medida Provisória no fim de setembro. A audiência pública aconteceu no Supremo Tribunal Federal (STF) e reuniu representantes dos times, do governo e do setor jurídico para debater o impacto da proibição.
O principal argumento dos clubes é a queda nas receitas, decorrente da perda dos contratos de patrocínio que as casas de apostas proporcionavam. Segundo os representantes, isso compromete finanças dos times, coloca em risco empregos e reduz investimentos em esportes olímpicos, categorias de base e futebol feminino.
O vice-presidente do Flamengo, Flávio Willeman, e o presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, foram alguns dos que manifestaram preocupação, destacando a rapidez com que a regra foi aplicada no Brasil. Montenegro comparou que países como Bélgica, Reino Unido, Espanha e Itália adotaram períodos de transição de meses antes de restringir publicidades das casas de apostas, enquanto o Brasil impôs a proibição em apenas dez dias.
Outro representante, Udo Secklemann, do Botafogo, questionou a eficácia da proibição, apontando a possibilidade de migração das apostas para mercados ilegais e a ausência de exemplos internacionais que sustentem a medida adotada pelo Brasil.
Por sua vez, o ministro da Advocacia Geral da União, Jorge Messias, reafirmou a validade da Medida Provisória e destacou os impactos negativos das apostas na sociedade, ressaltando o aumento do endividamento das famílias e da ludopatia, uma doença caracterizada pelo vício em jogos.
Ele afirmou que as apostas provocam uma "corrosão silenciosa" nas famílias brasileiras, com consequências que vão além dos prejuízos financeiros.
A Medida Provisória que proibiu as casas de apostas foi publicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro, após o segmento ser regulamentado desde o fim de 2023 e se tornar um importante parceiro de patrocínio dos clubes de futebol.
Entidades relacionadas às casas de apostas apresentaram ação no STF contra a medida, contestando sua validade. O ministro Luiz Fux é o relator responsável pelos processos relativos ao assunto no Supremo.
Antes de decidir sobre o tema, Fux promoveu a audiência pública para ouvir argumentos tanto favoráveis quanto contrários ao funcionamento das casas de apostas no país.
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